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Susie disse a si mesma: "Não sou boa em esportes" por 30 anos por causa do bullying no parquinho. Depois, ela descobriu o Pickleball.

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Susie Martinez lembra-se da textura exata do chão do ginásio — aquela sensação ligeiramente pegajosa sob os seus ténis —no dia em que a bola de vôlei a atingiu no rosto quando ela estava na escola.

Ela já tinha previsto. Levantara as mãos como a professora demonstrava. Mas seus dedos estavam na posição errada, no ângulo errado, muito devagar. A bola mal roçou suas mãos antes de bater em sua bochecha e quicar na quadra. A risada veio imediatamente.

Jessica Harper disse algo naquele momento — Susie não consegue mais se lembrar das palavras exatas, mas se lembra do tom. Exasperada. Alto o suficiente para todos ouvirem. O tipo de comentário que deixava claro que isso era esperado, que é claro que Susie tinha errado de novo.

O que Susie se lembra com mais clareza foi o que aconteceu em seguida. No dia seguinte, no vestiário, ela estava em um dos boxes do banheiro quando ouviu vozes — Jessica e suas amigas Madison e Kaylee. Elas estavam falando sobre o jogo. Sobre o time delas. Então Susie ouviu: "Ela obviamente não é atlética. Algumas pessoas simplesmente não são." Risos. Concordância. Outra voz: “Nós nunca vamos vencer com ela no nosso time.”

Susie ficou paralisada naquela cabine, atrasada para a próxima aula, até ter certeza de que eles tinham ido embora.

Mais tarde naquela semana, outra aluna da turma mencionou — quase com simpatia — que as pessoas estavam dizendo que Susie provavelmente deveria ficar de fora durante os jogos. Uma amiga lhe contou que tinha ouvido Jéssica dizer que era "doloroso de assistir" quando Susie jogava.

Susie não consegue se lembrar de todas as palavras exatas agora, três décadas depois. Mas ela se lembra com perfeita clareza de como seu rosto queimava. Como algo endureceu em seu peito. Como um veredito se formou e a perseguiria pelos próximos trinta anos: Não sou bom em esportes. Não pertenço a este lugar. Algumas pessoas simplesmente não nasceram para isso.

Ela passou três décadas acreditando nisso.

Quando a mentira se torna sua identidade

Quando Susie chegou aos cinquenta anos, aquele veredito da sétima série já havia moldado inúmeras decisões. Ela havia falsificado atestados para se livrar da Educação Física. Nunca havia se matriculado em uma academia porque as aulas coletivas de ginástica pareciam muito expostas, muito parecidas com avaliações. Nos jogos de futebol da filha, quando os pais eram convidados a se juntar às crianças para um treino, ela inventava desculpas sobre e-mails de trabalho, tornozelos torcidos ou qualquer coisa que a mantivesse segura fora do campo.

"Não sou boa em esportes" se tornou sua resposta automática, dita com uma risada autodepreciativa que fez parecer mais um traço peculiar de personalidade do que uma ferida que nunca cicatrizou.

O problema era que seu corpo estava começando a marcar pontos. O médico dela usou frases como "estilo de vida sedentário" e "preocupações com a densidade óssea". Ela ficava sem fôlego ao subir escadas. Suas costas doíam de tanto ficar sentada. A mulher que passou décadas evitando atividades físicas por...a causa de como isso a fazia sentir agora estava enfrentando as consequências dessa evitação.

"Você precisa encontrar algum tipo de exercício que lhe dê prazer", disse o médico gentilmente. "Caminhar, nadar, talvez até um esporte..."

“Não sou boa em esportes”, interrompeu Susie, tão automática quanto respirar.

O médico fez uma pausa. "Quem disse?"

A pergunta pegou Susie completamente desprevenida. Quem disse? Jessica Harper disse. Madison e Kaylee disseram. Todos os colegas de time que suspiraram quando toquei na bola disseram. A sétima série inteira disse.

Mas ela não disse nada disso em voz alta.

O som que começou tudo

Três semanas depois, presa no trânsito perto do centro comunitário, Susie ouviu um som - um som agudo e rítmico pop pop pop que cortava o ruído dos motores em marcha lenta. Depois de suas tarefas, a curiosidade a fez voltar para investigar.

Através da cerca de arame, ela observava as pessoas brincando pickleball. Uma mulher que aparentava ter uns setenta anos, jogando ao lado de alguém muito mais jovem. Um homem que mancava visivelmente. Duas mulheres mais ou menos da idade de Susie, uma das quais mandava a bola voando por cima da cerca. E eis o que a impressionou: ambas riram. Risadas de verdade. Não de zombaria — de alegria.

Susie viu um saque ir direto para a rede. O parceiro do sacador lhe deu um high-five mesmo assim. Alguém errou um golpe fácil e gritou "Boa tentativa!" para si mesmo, sem nenhum traço de autocrítica.

Ninguém parecia estar sendo julgado. Eles pareciam estar apenas brincando — um conceito que Susie nunca havia associado a esportes. Na experiência dela, esporte significava desempenho, avaliação, fracasso, humilhação. Isso não. Nunca isso.

Ela ficou sentada no carro por vinte minutos, observando, antes de dirigir para casa com aquilo pop pop pop som ecoando em sua cabeça.

A mensagem que mudou tudo

Susie levou mais três semanas para abrir o Facebook e pesquisar por "treinador de pickleball perto de mim". Suas mãos tremiam enquanto digitava. Uma dúzia de opções apareceram — grupos locais, beginner clínicas, aulas particulares.

Ela clicou no perfil de uma treinadora chamada Rita que se descreveu como “especializado em iniciantes absolutos e perfeccionistas em recuperação.” Isso pareceu um sinal.

Susie ficou olhando para a caixa de mensagens por quinze minutos. Ela digitou e apagou meia dúzia de versões antes de finalmente decidir: "Olá, estou interessada em aprender pickleball. Não tenho experiência nenhuma. Tudo bem?"

A resposta de Rita veio em menos de uma hora: "Experiência zero é meu lugar favorito para começar. Que tal quinta-feira às 9?"

Susie quase cancelou três vezes antes de quinta-feira chegar.

O que aconteceu na quadra

Rita tinha cabelos grisalhos curtos e um sorriso fácil. Nos primeiros vinte minutos, ela nem sequer entregou um presente a Susie. . Elas apenas conversaram. E porque Rita pediu gentilmente, Susie se viu contando a história do vôlei. Sobre Jessica, Madison e Kaylee. Cerca de trinta anos acreditando que não era atlética.

"Eis o que eu digo a todos", disse Rita. "O que aconteceu com você antes não teve nada a ver com esportes. Foi sobre crianças malvadas e um sistema que classifica as crianças por habilidades físicas arbitrárias, numa idade em que cada um se desenvolve de forma diferente. Isso não tem nada a ver com o fato de você conseguir aprender a bater numa bola de plástico agora. Certo?"

Susie sentiu a garganta apertada. Ela assentiu.

Sua primeira lição foi objetivamente terrível. Ela acertou a bola na rede cerca de mil vezes. Ela esqueceu de que lado sacar.. Ela balançou muito cedo, muito tarde, muito forte, muito macio.

E algo notável aconteceu: Rita não suspirou. Não rolou seu olhos. Ela apenas ajustou o aperto de Susie, disse para ela dobrar os joelhos e disse coisas como "boa tentativa, essa foi mais perto".

No final da hora, Susie havia atingido exatamente três bolas que foram para onde ela queria. Três em talvez trezentas tentativas. Rita deu um high-five nela como se tivesse ganhado um campeonato.

Susie chorou no carro depois. Não de tristeza, mas de alívio. Ao perceber que carregava a opinião de Jessica Harper sobre ela há trinta anos como se fosse a verdade objetiva.

O convite

Susie joga pickleball três vezes por semana agora. Ela não é a melhor jogadora em quadra e está aprendendo que isso é perfeitamente normal. Ela está aprendendo que seu corpo não é o inimigo — ele espera pacientemente há três décadas que ela pare de puni-lo pela crueldade dos outros.

No mês passado, outra mulher do seu grupo admitiu ter evitado esportes a vida toda porque sempre era a última escolhida. Elas se reconheceram imediatamente — sobreviventes da mesma crueldade casual que dizia às crianças que elas não pertenciam aos seus próprios corpos.

Se você está lendo isso e se vendo na história de Susie...se você passou anos evitando esportes por causa do que alguém fez você se sentir no ensino fundamental, este é o seu convite.

Aquela voz na sua cabeça dizendo que você não é atlético? Não é sua. Ela pertence a pessoas que estavam resolvendo suas próprias inseguranças por meio da crueldade, e você não precisa mais carregá-la.

Abrir o Facebook e digitar "treinador de pickleball" é assustador. Enviar aquela primeira mensagem admitindo que você é iniciante, que tem medo ou que nunca foi bom em esportes exige muita coragem. Suas mãos vão tremer. Você vai se questionar.

Faça isto de qualquer maneira.

Porque do outro lado dessa mensagem está uma versão de você que você nunca conheceu — alguém que descobre o que seu corpo pode fazer quando não está sendo julgado, quando está apenas brincando.

A Susie encontrou a Rita. Você também pode encontrar a sua Rita. Elas estão em grupos do Facebook e centros comunitários, prontas para ensinar pessoas que se acham indomáveis.

Você só precisa ser corajoso o suficiente para estender a mão.

A última escolhida não precisa ficar no banco para sempre. Às vezes, ela só precisa de um jogo diferente, uma voz mais gentil e coragem para tentar mais uma vez.